Cenário // Evolução

Bom, dessa vez vou deixar aqui o registro da evolução do cenário.

A ideia desde o início era ser um cenário simples, sem muita coisa que pudesse adicionar às várias outras tarefas que já iam ser trabalhosas nesse projeto.

A primeiríssima versão de modelagem nem tem registro, mas estava super crua. Bem ruim mesmo, lembro de falar com os professores da Melies e pedir socorro, porque estava odiando o resultado. Estava tentando ficar dentro da proposta de simplicidade, sem muita mobília. O suficiente pra se entender que era um quarto:  uma cama, uma janela pra iluminação, um criadozinho mudo e uma caminha de gato. Tava péssimo. Mas a ideia era não ter muita coisa mesmo.

No fim foi a Helo, companheira do Voyage, que me deu o toque. Eu precisava por mais elementos no quarto, coisas que mostrassem a personalidade do Edgar, ajudassem a ver como ele era sem precisar de diálogos. Lá fui eu traçar um “perfil psicológico” do personagem pra decidir o que eu queria que tivesse no quarto ou não.

A segunda versão do quarto já tinha mais elementos. Pra mim, já tinha mais cara de quarto, tinha alguma personalidade.

cenarioantigo

Parei a evolução do cenário nessa etapa, que julgava consideravelmente avançada, para progredir com os personagens e outras etapas da produção.
Quando voltei pra refinar a modelagem e começar a fazer os shaders do quarto, fiquei incomodada. Uma coisa que um dos professores da Melies (Fefucho) havia falado bastante era a coerência visual do curta. A modelagem do cenário estava bem geométrica (opção minha, não queria na época perder memória da máquina com smooths e subdivisões desnecessárias), e os personagens são bem redondinhos. Como os personagens já estavam modelados e rigados, seria melhor mudar a modelagem à mudar os personagens.
Vi um tutorial ótimo do Digital Tutors que, inclusive, ensinava um truquezinho para ajudar com as subdivisões desnecessárias. O tutorial está aqui.
E foi mágico, logo que eu decidi mudar a modelagem do cenário, saiu um tutorial que eu esperava FAZ ANOS do Jeremy Vickery. Ajudou demais a pensar e planejar melhor o curta, etc. Mas um dos tópicos citados por ele é a modelagem do cenário, como isso ajuda no rebatimento de luz e no visual como um todo. Enfim, caiu como uma luva. O tutorial chama Efficient Cinematic Lighting 2 e o link está aqui. É incrível, recomendo muito pra todos os sofredores do Voyage.

Enfim, refiz boa parte da modelagem do quarto e fiquei bem mais satisfeita. E, mais ou menos nessa época, perdi meu pai. E decidi colocar elementos que me lembrassem dele no curta, como se fossem easter eggs. Já falo mais sobre isso. Nessa etapa estava pensando na direção de arte do quarto também. Que cores, materiais usar, etc.

cenario2

Depois de decidir o papel de parede, o tipo de madeira e combinações entre eles, passei pra os outros móveis.

cenario3

Tive um pouco de dificuldade em decidir como seria a cama, que no final ficou com a combinação branco e madeira clara mesmo.

Agora, sobre os objetos que eu escolhi colocar no cenário como homenagens:

kombi

A mini-kombi: Meu pai, quando beem mais novo, trabalhava num cursinho. Foi onde conheceu a minha mãe. Uma das coisas que ele mais gostou de fazer lá foi dirigir uma kombi, que levava os alunos do cursinho de uma unidade pra outra. Ou era pra algum transporte público? Não sei, mas sei que ele adorou dirigir a kombi. A qualidade do render tá péssima, mas na placa da kombinha pus o aniversário do meu pai.

Os livros: São todas as faculdades que meu pai cursou. Ele só não terminou a de arquitetura, depois de cursar ANOS na FAU. Nunca me conformei dele ter largado tão perto de ter terminado. Rs.

Os quadrinhos: São quatro quadrinhos com todos os Beatles. Meu pai amava os Beatles.

fotos

Aqui não precisa de muita explicação, são as fotos da nossa vida em família.

poemas

Quando novinho, meu pai escrevia poemas. Dizem muito do que se passava pela cabeça dele quando jovem. Achei ótimo tê-los agora que não posso mais conversar com meu pai.
livros

Aqui são dois livros que me lembram bem meu pai. O Nome da Rosa, lembro dele lendo e adorando esse livro quando eu era pequena. Assisti nessa época o filme com ele e gostei bastante também. Mas só porque ele me explicou todo o contexto histórico e a importância dos eventos na história, eu era pequena pra entender sozinha.  E Rainha dos Condenados foi um livro que ele me apresentou na minha adolescência e eu AMEI. Começou com O Vampiro Lestat, mas o Rainha é o livro que eu tenho uma memória vívida de quando ele me entregou o livro, e depois nós conversando sobre os personagens.

A caneca é uma homenagenzinha ao meu namorado, viciadíssimo em café.

capacete

Aqui eu quis deixar o capacete vermelho dele, que andou a vida inteira de moto, e desde que eu me lembre, com um capacete vermelho.
E o quadro com uma fan art do filme Blade Runner, que ele amava. Principalmente a trilha sonora, que eu também amo.
Aliás, créditos:
“Rachel” by Ilya Kuvshinov
“Typographic Linocut Map of Paris” por Abigail Daker

posters

E, por fim, os posters de entretenimentos que ele adorava.
Matrix foi um marco na vida do meu pai, ele realmente adorou. Ele gostou de Animatrix também, lembro de quando ele trouxe o dvd pra casa e a gente ficou impressionado como era bem feito. Se eu assistir hoje, capaz de achar tosco. Melhor guardar a memória de deslumbre.
Pulp Fiction ele adorava, mas é da trilha sonora que eu lembro mais. Escutamos muito, muito mesmo quando eu era pequena.  Me influenciou tanto que eu lembro de fazer uma apresentação de ginástica olímpica quando eu era pequena com essa música.
O cd Pulse do Pink Floyd é um símbolo pra mim do meu pai. Ele adorava, e eu achava lindo.
E Arquivo X. Meu deus, é cafoníssimo. Rs. Mas meu pai amava, alugou TODOS os boxes de dvd uma época. Acho que não consigo pensar em outra série que meu pai gostou tanto.

luz

E, por fim, fecho esse post com alguns testes de luz bem basicões, só pra eu começar a sentir o clima do filme.

Até!

O Segredo de Seus Olhos (e pelos) – Versão Fellini

Oolá.

Dessa vez eu volto com um probleminha nas mãos.

fellini

A texturização do Fellini, o gatinho do curta, tem sido desde o começo um desafio.

A começar pela distribuição das listras ao longo do corpo. Quando pensei no gato, minha principal idéia era de fazer uma homenagem à minha primeira gatinha, a Duda:
dudinha

Foi complicado tentar traduzir as listras de gatos reais pra uma versão cartoon, e ainda por cima, bípede. Ser bípede alterou o “flow” das manchas. Enquanto eu tentei ser fiel às listras reais, não funcionou bem.

listras
As listras da Dudinha

versao1
A minha primeira interpretação para o cartoon. Méh.

Pesquisei MUITO versões cartoon felinas pra ver como era feita essa interpretação das listras, e foi bem complicado. Não achava nenhuma imagem que fosse bípede e mostrasse pelo menos as costas pra ver como era a continuidade das manchas. E do jeito que estava eu achei horrível, não ia rolar. Cheguei até a cogitar mudar a textura o gato, pra um preto e branco sem listras.

versao2
Foto sem vergonha do monitor

Mas pensei direito depois e decidi que,  pra mim, era mais importante manter a ideia original. A pelagem parecida com a Duda.
Pesquisei mais e mais, e acabei chegando nessas referências:

chris-sanders
Um sketch do Chris Sanders

Gawayn
Personagens do desenho animado Gawayn

Então, depois de mais vários testes…
versao3

Cheguei em uma que achei aceitável.

versao4

Passado o desabafo das listras, vem agora o do pelo em si.

Sabia desde o começo que não queria usar fur, por questão de rapidez de render. Mas não queria que ele fosse liso, sem indicação nenhuma de pelagem.
Uma das minhas referências desde o início era uma versão do Grumpy Cat que tinha um leve bump como indicação de pelo.

grumpy

Mas queria uma pelagem simulada ali, então pensei em pintar o pelo, e juntar ao bump pra deixar bonitinho.
Achei um tutorial ótimo sobre pintura de pelos, vou deixar o link aqui.
Fiz uns testes e achei que funcionaria no personagem.

testes

Porém, na hora de aplicar no personagem, alguns probleminhas apareceram.

versao4

Na primeira imagem, pelo tamanho do brush, e devido ao contraste forte, ele ficou meio chewbacca. Num era a ideia. As versões seguintes me agradaram mais, porém os cortes de malha eram bastante visíveis. Tentei simular esse tipo de pintura no zbrush e no mudbox, mas não tive muito sucesso. Já tava desistindo de me importar e deixar com as UV seams visíveis mesmo  quando acabei achando esse vídeo , feito pelo animador Aaron Blaise, que trabalhou no Rei Leão. Gostei de como ele usa fotos de pelagem real para ajustar e aplicar na própria pintura para criar a sensação de relevo. Lembrei do stencil no mudbox e resolvi tentar só mais uma versão de pelagem. Acabei gostando do resultado.
versao5
versao6

Ufa, né?
Mas acabaram os pepinos? Nãããão.

Eu já estava toda empolgada, crente que eu ia montar o pôster do curta…daí resolvi fazer um render teste dele de olhos fechados (já que ele dorme metade do filme):
escorrido
A malha escorre. MUITO. Num dá pra ignorar. Tem planos de close nele.
Primeiro eu levei o obj do personagem com os olhos fechados para o mudbox pra tentar usar o stencil na pálpebra também, mas não funcionou. Acho que a subdivisão da pálpebra é muito baixa para aplicar qualquer textura em cima. Tentei depois um truque de fazer uma mancha preta em volta dos olhos, mas também não deu certo. Tentei mais tipos de manchas, e não tem dado certo.

versao9

Enfim…isso ainda não tem solução. Um mistério como resolver esses olhos escorridos.

Edgar// Texturização

Ufa, finalmente.

Hoje mostro como ficou a texturização do Edgar e como foi um pouco do processo pra chegar no resultado final.
painelEdgar

(Melhor abrir a imagem em uma nova guia…ficou minúscula no post, e eu não sei como fazer ela abrir maior só clicando nela)

Fiz esse painel pra ilustrar melhor minhas referências e direções na hora de tomar decisões sobre a texturização.

O começo

1osTestes

Nessa fase, estava focada em decidir os tons de cabelo e pele…realmente, não estava funcionando. O tom de ruivo não estava ruivo, estava puxando mais para um castanho, e a pele estava parecendo cera.

Quando tirei esses renders, estava testando como pintar a sobrancelha, e encontrei um probleminha que não achei que teria : quando modelei o personagem, fiz a sobrancelha extrudada, não como uma geometria separada ( fiz isso pensando em simplificar a etapa de rig, mas agora, olhando para trás, talvez devesse ter feito separada mesmo). O problema foi conseguir pintar o limite da sobrancelha mantendo a aparência  ”smooth-ada” – mesmo pintando no zbrush ou mudbox, a sobrancelha continuava com uma pegada geométrica quando eu renderizava no maya. Vai saber. Acabei resolvendo isso na base do acerto/erro no photoshop mesmo.

Outra questão da sobrancelha foi escolher o tom dela. Na minha referência o modelo tem uma sobrancelha super clara, quase inexistente, que dá pra perceber quase só pelo relevo mesmo. Mas, para o meu personagem, não tava rolando desse jeito.

edgarSSS

Depois passei pra etapa de consertar o SSS do personagem. Com as dicas do prof. André de render, consegui chegar num resultado mais rosado, mais próximo da referência. Aliás, valeu André por todas as socorridas.

Depois de chegar no tom que me agradava mais, decidi a cor da sobrancelha, um laranja que me agradou bastante. Mas não ornava com o cabelo, que já estava me incomodando bastante por não  ser exatamente ruivo.

edgarCabelo

Com o cabelo, foi um exercício de desapego. Foi uma das primeiras texturas que eu pintei para o Edgar, e eu tinha ficado bem feliz com o resultado na época.  E deu trabalho também, porque eu quis pintar fio a fio. Monguice.

No geral, as cores que eu escolhi para a pintura não funcionaram na direção de arte. E, mesmo tentando alterar as cores no Photoshop, o resultado ficou bem estranho.
Analisando o conjunto , fazia mais sentido começar uma nova pintura para o cabelo, com uma proposta bem mais simples, menos detalhada. Demorou um pouquinho para eu finalmente largar mão da versão antiga, mas quando eu fiz, gostei do resultado.

E depois de alguns ajustes no reflexo da pele e mudança na cor do pijama, o resultado foi esse:
edgarFinal

Enfim, existem muitas coisas que eu gostaria de fazer para melhorar o personagem, MAS…chega, né. Gosto de como ele está, e tem um curta todo pra tocar, não dá pra ficar nessa enrolação eterna com cada coisa do curta, uma hora a gente tem que dizer “tá lyndo assim” e bola pra frente resolver os outros pepinos.

É isso então!
Inté a próxima!

Retomada + Desabafo

Alou.

Hoje o post vai ser um pouquinho diferente, acho que foge um pouco da proposta do blog, que é falar estritamente sobre a produção do curta. Pensei bastante, e decidi que o assunto que eu queria escrever – embora pessoal –  é importante, e teve muito a ver sim com o andamento (ou falta de) do projeto.

No final do ano passado, meu pai faleceu, E de uma forma bastante inesperada, foi um baque.

Por um tempo, o curta foi uma das últimas coisas na minha cabeça. Mas logo lembrei que meu pai estava super animado com esse meu projeto de entrar no mundo 3D, finalizar meu curtinha. Uns dois dias antes dele morrer, ele sentou na minha cama enquanto eu estava no computador fazendo uns renders de teste, e quis conversar comigo sobre me ajudar a comprar um computador novo (que eu estava pensando na época) e, se não desse, como a gente podia usar todas as máquinas da casa pra fazer os meus renders irem um pouquinho mais rápido. Também ficava empolgado quando mostrava algum avanço na produção e pedia o feedback dele.

papi

Na foto: Meu pai me ensinando alguma coisa no computador, uns bons 15 anos atrás.

Lembro de quando eu era bem mais nova, mais ou menos na época dessa foto, e meu pai comprou um programa de 3D pra mim, já que eu me interessava por animação (vivia dizendo que queria trabalhar na Pixar). Acho que o programa era o Poser…infelizmente não tive paciência na época pra aprender alguma coisa.

Enfim,  ele ficou super feliz quando decidi, depois de tantas voltas na vida, estudar 3D na Melies.  E ficava animado quando eu contava alguma coisa das aulas, mostrava como o zbrush funcionava, como animar, essas coisas.

E, no fim, o curta que já era um comprometimento sério pra mim, se transformou em algo mais. Resolvi transformá-lo, dentro do possível, em uma homenagem ao meu pai.  O que eu pensei em  fazer foi inserir dentro do quarto do meu personagem vários “easter eggs” sobre a vida do meu pai. Mais pra frente vou fazer um post sobre o cenário e mostro melhor o que eu mudei.

Então era isso. Só queria “desabafar” antes de voltar a postar sobre a produção. Porque me pareceu estranho retomar aqui como se nada tivesse acontecido.

Enfim, lá pelo final de janeiro retomei a produção do curta, e espero, do fundin do coração, que ele esteja pronto até o final de agosto.

Trabalhar bastante pra fazer isso acontecer.

Inté.

 

papis louco

Na foto: Meu pai lyndo que faz falta todo dia.

Poster de divulgação + andamento da produção

Alou de novo!

Gente, muito corrida essa produção do curta. ZILHÕES de coisas pra fazer, mais um monte de coisa que dá errado…mas quando dá certo, dá um orgulhinho, uma felicidade interna tããão boa!
Finalmente terminei (espero!) de ajustar os rigs, consertar todos os 20 mil erros que apareceram pelo caminho (beijo, prof. Larissa! Você vai pro céu só pela paciência que teve nesse meu processo com o rig).
Sendo assim, comecei a setar o poster que será de divulgação do curta.

poster_pb

Só de ver os dois juntinhos, assim posados…muito amor no coração!
Já dá um gás a mais pra tentar terminar as coisas logo…com o tempo a gente dá uma desanimada mesmo. Mas de repente, sai uma coisa legal, um resultado certo…e o ânimo volta!

O poster tá assim, preto e branco mesmo, porque não terminei de texturizar ainda nenhum personagem.
Foi um teste de poses e iluminação mesmo.

Mais pra frente volto com eles texturizados!

Beijins!

Edgar // Concept

Olá!

Bastaaante tempo depois, volto hoje pra mostrar a primeira etapa do desenvolvimento do meu personagem humano, o Edgar.

 

edgar-concept

Desde o início, desejava que o Edgar fosse um rapaz carismático. Nada que desviasse a atenção da história, ou ofuscasse o Fellini, mas que ele tivesse uma certa personalidade. Fosse “gostável”.

Gosto muito do estilo do Roger, dos 101 Dálmatas. É carismático, tem traços fortes e personalidade. Foi umas das inspirações.

roger

Pesquisando referências, encontrei o trabalho incrível da Leticia Reinaldo, que modelou uma versão do Roger, e ficou MUITO bom! Serviu como inspiração para a modelagem e a textura do meu personagem.

roger-leticiaReinaldo

Outra referência que busquei foi o ator John Krasinski.
john

Ele tem traços bastante carismáticos, transmite bem essa “gostabilidade” que eu procurava para o Edgar.

john2

Uma última inspiração foi o personagem George do curta “Paperman”, da Disney.

george

Acho que o que dá pra perceber que todos eles tem em comum é uma certa magreza, rostos mais finos, narizes com personalidade.

Em breve posto a etapa da modelagem do Edgar, para mostrar como ficou na prática a convergência de todas essas referências!  ;)

Até!!

Fellini // Modelagem

Alou!

Estou de volta hoje para mostrar mais uma etapa do Fellini, a modelagem.

Foi uma fase relativamente tranquila, embora mais demorada, por ter sido o primeiro personagem a ser modelado, primeira etapa da produção como um todo.

Foi incrível ver o Fellini sair do mundo 2d para começar a se tornar um personagem tridimensional.

Depois de sofrer algumas mudanças ao longo do caminho, esse é o resultado:

fellini-modelagem

Iniciei a modelagem direto no Zbrush, com a Zsphere, montando o esqueleto e definindo as formas e modelando detalhes a partir daí. A parte mais trabalhosa, com certeza, é a retopologia. É praticamente um quebra-cabeça, que com o tempo e a prática você aprende a gostar. Quase um masoquismo.
Masosquismos à parte, a retopologia foi feita no Maya 2014, com o modeling tool kit. Bem mais prático (mas ainda assim trabalhoso).
A topologia do gatinho ficou assim:

wire-fellini

Enfim, por hoje é só. Bem breve mesmo, a produção está super apertada e super atrasada!
Até!

Concepts e Referências // Fellini

Olá de novo!

Depois de contar a historinha do curta, agora é a hora de mostrar alguns concepts,  referências e um pouco do processo para chegar no resultado final.
Hoje vamos começar pelo Fellini:

fellini-concept

No início, ainda tinha uma imagem muito fofa, muito neném para ele. Por dois motivos escolhi mudá-lo para uma versão mais adulta: 1) Ia encontrar muitos problemas na hora de fazer o rig, a movimentação do personagem ia ser muito limitada sendo redondinho daquele jeito; 2) Não queria despertar uma simpatia pelo personagem tão de cara. Queria que o espectador se incomodasse com o sono excessivo do gato, o que ficaria mais difícil se ele parecesse um bebê.

Dá para perceber que depois que resolvi mudar a aparência fofa dele, experimentei com algumas proporções mais humanóides, mais magras. Até exagerei bastante na magreza, tadinho.

No Pinterest, que usei MUITO durante toda a pesquisa de referências, fiz um painel com tudo que consegui encontrar relacionado a gatos 2d e 3d. Caso queiram conferir, o painel está aqui.

No fim, o que mais me inspirou foi o filme de animação Le Manoir Magique. O link do trailer está aqui, vale a pena ver (não consegui colocar o vídeo direto aqui).

 

Tonerre

Depois de descobrir esse filme, o Fellini foi tomando mais forma. No Tonnerre (o gatinho acima) encontrei as proporções que gostaria para o meu personagem.

O Fellini, quando eu comecei a imaginar o curta, era quadrúpede. Depois, conversando com os professores, percebi que não seria possível, tanto pela etapa de rig (que já foi suada o suficiente, mesmo ele sendo bípede), quanto a etapa de animação. Principalmente por causa do cronograma SUPER apertado que temos. Realmente, não dava pra querer criar mais obstáculos com um personagem quadrúpede.

Então, a idéia foi adaptar as proporções que me agradaram no Tonnerre a uma versão bípede.

Finalmente, minha maior inspiração foi a Duda, minha gatinha que esteve comigo por 17 anos. Uma coisa que sempre me impressionou era a capacidade que ela tinha de dormir. No fim, acho que isso era uma característica que tínhamos em comum. ;)

Duda

Por hoje, é só. No próximo post mostro o Edgar.
Até!

Senta que lá vem história…

Olá!

Olha só, post de inauguração!

Desde o meio do ano passado estou cursando o Voyage aqui na Melies, e como trabalho final produzimos um curta ou uma demo. Optei pelo curta: gosto da idéia de passar por todas as etapas da produção, desde o concept, modelagem, textura até a animação e a pós. Uma visão generalista, né?

A idéia do blog é postar ao longo do tempo a evolução da produção. Por hoje, vou deixar por aqui a história do curta.

“Fellini é um gato de estimação que passa a maior parte do dia dormindo, deixando seu dono, Edgar, indignado. Seria o felino simplesmente preguiçoso ou existe uma razão para todo esse sono?”

Uma história bem curtinha, inspirada na fama felina de dorminhocos. E o nome do personagem – e consequentemente, do curta – é uma mistura infame de felino e Federico Fellini….já que estudo na Melies, né? Vamos entrar na vibe cineastas!

Enfim, por enquanto é isso. No próximo post, mostro os concepts dos personagens!

Até!